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"Os dias prósperos não vêm do acaso; são granjeados, como as searas, amuita fadiga e com muitos intervalos de desalento"

Camilo Castelo Branco, nasceu a 16 de Março de 1825, em Lisboa, não chegou a conhecer sua mãe e o pai, Manuel Joaquim Castelo Branco, morreu quando tinha 10 anos.
Estudou numa escola da Rua dos Calafates (hoje rua do Diário de Notícias), mais tarde na Calçada do Duque. Em 1841, em Friúme, casa-se com Joaquina Pereira de França, de 15 anos, onde viveu dois anos.

Na cidade do Porto, em 1848 presta provas no Liceu Nacional de Gramática e Línguas, e em seguida inscreve-se na Escola Médica e na Academia Politécnica. Em 1845 perde o ano letivo por faltas e publica "Os Pundonores Desagravados" e "O Juizo Final e o Sonho do Inferno".
Depois de breve passagem por Coimbra, relaciona-se em Lisboa com vários escritores e colabora em "A Semana", tendo morado na cidade do Porto a partir de 1848.

A partir de 1864, com várias intermitências, a sua vida decorre na casa de S. Miguel de Seide. Foi feito Visconde, como Garrett e Castilho, mas os sofrimentos físicos, morais, pecuniários, o tédio das aventuras românticas, levaram-no ao suicídio em 1890 com um tiro de pistola, depois de ter perdido a esperança de recuperar a vista.
A vivência agitada da infância, associada à proteção da tia Rita e à bruteza dos costumes em que culturalmente se formou (filho natural, órfão de mãe e do pai aos 10 anos, educação provinciana e irregular entre parentes transmontanos, princípios de instrução literária dados por dois padres), terão contribuído para o desenvolvimento de características peculiares, que lhe marcaram a personalidade: rebeldia contestatária, espírito contraditório e instabilidade psíquica, individualismo inveterado, repugnância pelo trabalho manual e uma ambição sem limites pela conquista de um lugar proeminente numa sociedade fechada.

Devido aos envolvimentos amorosos ("Soror Mariana"-pseudónimo da Couto Browne, relações simultâneas com Eufrásia Carlota de Sá e a freira Isabel Cândida Vaz Mourão-1850-, abandono da sua primeira mulher-Joaquina Pereira de França, abandono de Patrícia Emília de Barros logo que nasceu uma filha, Ana Augusta Plácido que acabaria por ser a sua companheira até ao final da vida, com quem acaba por casar em 1888) é preso por duas vezes, sendo a segunda na Cadeia da Relação do Porto (foi absolvido e libertado em 1862), onde produziu algumas das obras mais importantes da sua bibliografia.

Em termos literários, Camilo Castelo Branco exercitou o seu talento em tentativas de poesia, teatro e jornalismo (até 1849), vindo posteriormente a conquistar posição primacial no jornalismo, na dramaturgia e na polémica, tendo sido um dos maiores vultos da Literatura e Cultura portuguesas do século XIX.